29 de set. de 2011

Leitura diária - Postagem 8/37

CAPÍTULO XXIX



O Imperador

Em caminho, encontramos o Imperador, que vinha da Escola de Medicina. O

ônibus em que íamos parou, como todos os veículos; os passageiros desceram à rua e

tiraram o chapéu, até que o coche imperial passasse. Quando tornei ao meu lugar, trazia

uma idéia fantástica, a idéia de ir ter com o Imperador, contar-lhe tudo e pedir-lhe a

intervenção. Não confiaria esta idéia a Capitu. “Sua Majestade pedindo, mamãe cede”,

pensei comigo.

Vi então o Imperador escutando-me, refletindo e acabando por dizer que sim,

que iria falar a minha mãe; eu beijava-lhe a mão, com lágrimas. E logo me achei em

casa, à espera, até que ouvi os batedores e o piquete de cavalaria; é o Imperador! é o

Imperador! Toda a gente chegava às janelas para vê-lo passar, mas não passava, o coche

parava à nossa porta, o Imperador apeava-se e entrava. Grande alvoroço na vizinhança:

“O Imperador entrou em casa de D. Glória! Que será? Que não será?” A nossa família

saía a recebê-lo; minha mãe era a primeira que lhe beijava a mão. Então o Imperador,

todo risonho, sem entrar na sala ou entrando, – não me lembra bem, os sonhos são muita

vez confusos, – pedia a minha mãe que me não fizesse padre, – e ela, lisonjeada e

obediente, prometia que não.

– A medicina, – por que lhe não manda ensinar medicina?

– Uma vez que é do agrado de Vossa Majestade...

– Mande ensinar-lhe medicina; é uma bonita carreira, e nós temos aqui bons

professores. Nunca foi à nossa Escola? É uma bela Escola. Já temos médicos de

primeira ordem, que podem ombrear com os melhores de outras terras. A medicina é

uma grande ciência; basta só isto de dar a saúde aos outros, conhecer as moléstias,

combatê-las, vencê-las... A senhora mesma há de ter visto milagres. Seu marido morreu,

mas a doença era fatal, e ele não tinha cuidado em si... É uma bonita carreira; mande-o

para a nossa Escola. Faça isso por mim, sim? Você quer, Bentinho?

– Mamãe querendo...

– Quero, meu filho. Sua Majestade manda.

Então o Imperador dava outra vez a mão a beijar, e saía, acompanhado de todos

nós, a rua cheia de gente, as janelas atopetadas, um silêncio de assombro; o Imperador

entrava no coche, inclinava-se e fazia um gesto de adeus, dizendo ainda: “A medicina, a

nossa Escola.” E o coche partia entre invejas e agradecimentos.

Tudo isso vi e ouvi. Não, a imaginação de Ariosto não é mais fértil que a das

crianças e dos namorados, nem a visão do impossível precisa mais que de um recanto de

ônibus. Consolei-me por instantes, digamos minutos, até destruir-se o plano e voltar-me

para as caras sem sonhos dos meus companheiros.



CAPÍTULO XXX

O Santíssimo

Terás entendido que aquela lembrança do Imperador acerca da medicina não era

mais que a sugestão da minha pouca vontade de sair do Rio de Janeiro. Os sonhos do

acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e

das nossas recordações. Vá que fosse para São Paulo, mas a Europa... Era muito longe,

muito mar e muito tempo. Viva a medicina! Iria contar estas esperanças a Capitu.

– Parece que vai sair o Santíssimo, disse alguém no ônibus. Ouço um sino; é,

creio que é em Santo Antônio dos Pobres. Pare, senhor recebedor!

O recebedor das passagens puxou a correia que ia ter ao braço do cocheiro, o

ônibus parou, e o homem desceu. José Dias deu duas voltas rápidas à cabeça, pegou-me

no braço e fez-me descer consigo. Iríamos também acompanhar o Santíssimo.

Efetivamente, o sino chamava os fiéis àquele serviço da última hora. Já havia algumas

pessoas na sacristia. Era a primeira vez que me achava em momento tão grave; obedeci,

a princípio constrangido, mas logo depois satisfeito, menos pela caridade do serviço que

por me dar um ofício de homem. Quando o sacristão começou a distribuir as opas,

entrou um sujeito esbaforido; era o meu vizinho Pádua, que também ia acompanhar o

Santíssimo. Deu conosco, veio cumprimentar-nos. José Dias fez um gesto de

aborrecido, e apenas lhe respondeu com uma palavra seca, olhando para o padre, que

lavava as mãos. Depois, como Pádua falasse ao sacristão, baixinho, aproximou-se dele;

eu fiz a mesma coisa. Pádua solicitava ao sacristão uma das varas do pálio. José Dias

pediu uma para si.

– Há só uma disponível, disse o sacristão.

– Pois essa, disse José Dias.

– Mas eu tinha pedido primeiro, aventurou Pádua.

– Pediu primeiro, mas entrou tarde, retorquiu José Dias; eu já cá estava. Leve

uma tocha.

Pádua, apesar do medo que tinha ao outro, teimava em querer a vara, tudo isto

em voz baixa e surda. O sacristão achou meio de conciliar a rivalidade, tomando a si

obter de um dos outros seguradores do pálio que cedesse a vara ao Pádua, conhecido na

paróquia, como José Dias. Assim fez; mas José Dias transtornou ainda esta combinação.

Não, uma vez que tínhamos outra vara disponível, pedia-a para mim, “jovem

seminarista”, a quem esta distinção cabia mais diretamente. Pádua ficou pálido, como as

tochas. Era pôr à prova o coração de um pai. O sacristão, que me conhecia de me ver ali

com minha mãe, aos domingos, perguntou de curioso se eu era deveras seminarista.

– Ainda não, mas vai sê-lo, respondeu José Dias, piscando o olho esquerdo para

mim, que, apesar do aviso, fiquei zangado.

– Bem, cedo ao nosso Bentinho, suspirou o pai de Capitu.

Pela minha parte, quis ceder-lhe a vara; lembrou-me que ele costumava

acompanhar o Santíssimo Sacramento aos moribundos, levando uma tocha, mas que a

última vez conseguira uma vara do pálio. A distinção especial do pálio vinha de cobrir o

vigário e o sacramento; para tocha qualquer pessoa servia. Foi ele mesmo que me

contou e explicou isto, cheio de uma glória pia e risonha. Assim fica entendido o

alvoroço com que entrara na igreja; era a segunda vez do pálio, tanto que cuidou logo de

ir pedi-lo. E nada! E tornava à tocha comum, outra vez a interinidade interrompida; o

administrador regressava ao antigo cargo... Quis ceder-lhe a vara; o agregado tolheu-me

esse ato de generosidade, e pediu ao sacristão que nos pusesse, a ele e a mim, com as

duas varas da frente, rompendo a marcha do pálio.

Opas enfiadas, tochas distribuídas e acesas, padre e cibório prontos, o sacristão

de hissope e campainha nas mãos, saiu o préstito à rua. Quando me vi com uma das

varas, passando pelos fiéis, que se ajoelhavam, fiquei comovido. Pádua roía a tocha

amargamente. É uma metáfora, não acho outra forma mais viva de dizer a dor e a

humilhação do meu vizinho. De resto, não pude mirá-lo por muito tempo, nem ao

agregado, que, paralelamente a mim, erguia a cabeça com o ar de ser ele próprio o Deus

dos exércitos. Com pouco, senti-me cansado; os braços caíam-me, felizmente a casa era

perto, na Rua do Senado.

A enferma era uma senhora viúva, tísica, tinha uma filha de quinze ou dezesseis

anos, que estava chorando à porta do quarto. A moça não era formosa, talvez nem

tivesse graça; os cabelos caíam despenteados, e as lágrimas faziam-lhe encarquilhar os

olhos. Não obstante, o total falava e cativava o coração. O vigário confessou a doente,

deu-lhe a comunhão e os santos óleos. O pranto da moça redobrou tanto que senti os

meus olhos molhados e fugi. Vim para perto de uma janela. Pobre criatura! A dor era

comunicativa em si mesma; complicada da lembrança de minha mãe, doeu-me mais, e,

quando enfim pensei em Capitu, senti um ímpeto de soluçar também, enfiei pelo

corredor, e ouvi alguém dizer-me:

– Não chore assim!

A imagem de Capitu ia comigo, e a minha imaginação, assim como lhe atribuía

lágrimas, há pouco, assim lhe encheu a boca de riso agora; via-a escrever no muro,

falar-me, andar à volta, com os braços no ar; ouvi distintamente o meu nome, de uma

doçura que me embriagou, e a voz dela. As tochas acesas, tão lúgubres na ocasião,

tinham-me ares de um lustre nupcial... Que era lustre nupcial? Não sei; era alguma coisa

contrária à morte, e não vejo outra mais que bodas. Esta nova sensação me dominou

tanto que José Dias veio a mim, e me disse ao ouvido, em voz baixa:

– Não ria assim!

Fiquei sério depressa. Era o momento da saída. Peguei da minha vara; e, como já

conhecia a distância, e agora voltávamos para a igreja, o que fazia a distância menor, –

o peso da vara era mui pequeno. Demais, o sol cá fora, a animação da rua, os rapazes da

minha idade que me fitavam cheios de inveja, as devotas que chegavam às janelas ou

entravam nos corredores e se ajoelhavam à nossa passagem, tudo me enchia a alma de

lepidez nova.

Pádua, ao contrário, ia mais humilhado. Apesar de substituído por mim, não

acabava de se consolar da tocha, da miserável tocha. E contudo havia outros que

também traziam tocha, e apenas mostravam a compostura do ato; não iam garridos, mas

também não iam tristes. Via-se que caminhavam com honra.



CAPÍTULO XXXI

Curiosidades de Capitu

Capitu preferia tudo ao seminário. Em vez de ficar abatida com a ameaça da

larga separação, se vingasse a idéia da Europa, mostrou-se satisfeita. E quando eu lhe

contei o meu sonho imperial:

– Não, Bentinho, deixemos o Imperador sossegado, replicou; fiquemos por ora

com a promessa de José Dias. Quando é que ele disse que falaria a sua mãe?

– Não marcou dia; prometeu que ia ver, que falaria logo que pudesse, e que me

pegasse com Deus.

Capitu quis que lhe repetisse as respostas todas do agregado, as alterações do

gesto e até a pirueta, que apenas lhe contara. Pedia o som das palavras. Era minuciosa e

atenta; a narração e o diálogo, tudo parecia remoer consigo. Também se pode dizer que

conferia, rotulava e pregava na memória a minha exposição. Esta imagem é porventura

melhor que a outra, mas a ótima delas é nenhuma. Capitu era Capitu, isto é, uma

criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda o não disse, aí fica.

Se disse, fica também. Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de

repetição.

Era também mais curiosa. As curiosidades de Capitu dão para um capítulo. Eram

de vária espécie, explicáveis e inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves,

outras frívolas; gostava de saber tudo. No colégio, onde, desde os sete anos, aprendera a

ler, escrever e contar, francês, doutrina e obras de agulha, não aprendeu, por exemplo, a

fazer renda; por isso mesmo, quis que prima Justina lho ensinasse. Se não estudou latim

com o Padre Cabral foi porque o padre, depois de lho propor gracejando, acabou

dizendo que latim não era língua de meninas. Capitu confessou-me um dia que esta

razão acendeu nela o desejo de o saber. Em compensação, quis aprender inglês com um

velho professor amigo do pai e parceiro deste ao solo, mas não foi adiante. Tio Cosme

ensinou-lhe gamão.

– Anda apanhar um capotinho, Capitu, dizia-lhe ele.

Capitu obedecia e jogava com facilidade, com atenção, não sei se diga com

amor. Um dia fui achá-la desenhando a lápis um retrato; dava os últimos rasgos, e

pediu-me que esperasse para ver se estava parecido. Era o de meu pai, copiado da tela

que minha mãe tinha na sala e que ainda agora está comigo. Perfeição não era; ao

contrário, os olhos saíram esbugalhados, e os cabelos eram pequenos círculos uns sobre

outros. Mas, não tendo ela rudimento algum da arte, e havendo feito aquilo de memória

em poucos minutos, achei que era obra de muito merecimento; descontai-me a idade e a

simpatia. Ainda assim, estou que aprenderia facilmente pintura, como aprendeu música

mais tarde. Já então namorava o piano da nossa casa, velho traste inútil, apenas de

estimação. Lia os nossos romances, folheava os nossos livros de gravuras, querendo

saber das ruínas, das pessoas, das campanhas, o nome, a história, o lugar. José Dias

dava-lhe essas notícias com certo orgulho de erudito. A erudição deste não avultava

muito mais que a sua homeopatia de Cantagalo.

Um dia, Capitu quis saber o que eram as figuras da sala de visitas. O agregado

disse-lho sumariamente, demorando-se um pouco mais em César, com exclamações e

latins:

– César! Júlio César! Grande homem! Tu quoque, Brute?

Capitu não achava bonito o perfil de César, mas as ações citadas por José Dias

davam-lhe gestos de admiração. Ficou muito tempo com a cara virada para ele. Um

homem que podia tudo! que fazia tudo! Um homem que dava a uma senhora uma pérola

do valor de seis milhões de sestércios!

– E quanto valia cada sestércio?

José Dias, não tendo presente o valor do sestércio, respondeu entusiasmado:

– É o maior homem da história!

A pérola de César acendia os olhos de Capitu. Foi nessa ocasião que ela

perguntou a minha mãe por que é que já não usava as jóias do retrato; referia-se ao que

estava na sala, com o de meu pai; tinha um grande colar, um diadema e brincos.

– São jóias viúvas, como eu, Capitu.

– Quando é que botou estas?

– Foi pelas festas da Coroação.

– Oh! conte-me as festas da Coroação!

Sabia já o que os pais lhe haviam dito, mas naturalmente tinha para si que eles

pouco mais conheceriam do que o que se passou nas ruas. Queria a notícia das tribunas

da Capela Imperial e dos salões dos bailes. Nascera muito depois daquelas festas

célebres. Ouvindo falar várias vezes da Maioridade, teimou um dia em saber o que fora

este acontecimento; disseram-lho, e achou que o Imperador fizera muito bem em querer

subir ao trono aos quinze anos. Tudo era matéria às curiosidades de Capitu, mobílias

antigas, alfaias velhas, costumes, notícias de Itaguaí, a infância e a mocidade de minha

mãe, um dito aqui, uma lembrança dali, um adágio dacolá...



CAPÍTULO XXXII

Olhos de Ressaca

Tudo era matéria às curiosidades de Capitu. Caso houve, porém, no qual não sei

se aprendeu ou ensinou, ou se fez ambas as coisas, como eu. É o que contarei no outro

capítulo. Neste direi somente que, passados alguns dias do ajuste com o agregado, fui

ver a minha amiga; eram dez horas da manhã. D. Fortunata, que estava no quintal, nem

esperou que eu lhe perguntasse pela filha.

– Está na sala, penteando o cabelo, disse-me; vá devagarzinho para lhe pregar

um susto.

Fui devagar, mas ou o pé ou o espelho traiu-me. Este pode ser que não fosse; era

um espelhinho de pataca (perdoai a barateza), comprado a um mascate italiano, moldura

tosca, argolinha de latão, pendente da parede, entre as duas janelas. Se não foi ele, foi o

pé. Um ou outro, a verdade é que, apenas entrei na sala, pente, cabelos, toda ela voou

pelos ares, e só lhe ouvi esta pergunta:

– Há alguma coisa?

– Não há nada, respondi; vim ver você antes que o Padre Cabral chegue para a

lição. Como passou a noite?

– Eu bem. José Dias ainda não falou?

– Parece que não.

– Mas então quando fala?

– Disse-me que hoje ou amanhã pretende tocar no assunto; não vai logo de

pancada, falará assim por alto e por longe, um toque. Depois, entrará em matéria. Quer

primeiro ver se mamãe tem a resolução feita...

– Que tem, tem, interrompeu Capitu. E se não fosse preciso alguém para vencer

já, e de todo, não se lhe falaria. Eu já nem sei se José Dias poderá influir tanto; acho que

fará tudo, se sentir que você realmente não quer ser padre, mas poderá alcançar?... Ele é

atendido; se, porém... É um inferno isto! Você teime com ele, Bentinho.

– Teimo; hoje mesmo ele há de falar.

– Você jura?

– Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinham-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana

oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria

ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o

que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas

conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento;

imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos,

constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e

sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o

que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra

da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca.

É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e

enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos

dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas,

aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas,

a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxarme

e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão

marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não

acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de

dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão

padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão

gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este

outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas.

Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente

aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, – para dizer alguma coisa, –

que era capaz de os pentear, se quisesse.

– Você?

– Eu mesmo.

– Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim.

– Se embaraçar, você desembaraça depois.

– Vamos ver.

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